Sábado, 19 de Abril de 2008

Água doce em Valentim

Viagem da água doce em Valentim


Água doce pelas entranhas da mata em Valentim

Festa do sol em Valentim

Atravessando o "Canal do Ouro" em Valentim, com Juarez de Araponga.

O banho rolava tranqüilo e divertido na “Cachoeira de Rosendo”: o sol rachando, crianças inventando, adultos atentos, mulheres mergulhando e emergindo charmosamente da piscina natural. De short preto, sem camisa, havaianas no pé, trajando chapéu de palha com abas largas e facão embainhado preso à cintura, Juarez de Araponga acomodava e integrava generosamente as turmas de Valentim e Boa Nova, articulando a socialização do “banquete” na parte seca do lajedo. Deixando tudo sob controle, sob sérias e cuidadosas advertências de João, seu irmão, Juarez e mais dois amigos seus conduziram-nos, a mim e a Horácio, até a “Cachoeira de Olindino”, guiando-nos por uma trilha inusitada e cheia de energéticas surpresas. Assim, passando por sob uma cerca de arame farpado fomos paulatinamente afastando-nos das duas turmas de banhistas e adentrando numa nova e mágica dimensão. Vozes de adultos e crianças em algazarra extinguiam-se lentamente. Sons e silêncios enigmáticos da mãe natureza tornavam-se onipresentes. Inquietações filosóficas entravam em ebulição.
Durante o pedaço inicial de chão estável da trilha, andamos lado a lado com trechos do rio Uruba de beleza e exuberância por mim jamais vistos. Aí "caiu a ficha" com relação ao caráter limitado da minha experiência em águas "Urubaianas", historicamente restrita ao trecho que vai da ponte de Boa Nova à barragem de Délio.

Findada abruptamente a confortável trilha de chão, a adrenalina entrou em cena. Sem opção, passamos a seguir pelo leito do rio, trilhando um caminho de água rasa, areia e pedras por vezes escorregadias. Bem no coração do “Canal do Ouro”, uma atmosfera mística envolveu-nos a todos. Juarez reverenciou ritualisticamente o local, desfiando histórias fantásticas representativas do entendimento popular acerca das energias ali concentradas. Mais à frente, chegamos ao ponto de precipitação do leito do rio numa queda de cerca de 70 metros, formando a chamada “Cachoeira de Olindino”. Seguro e natural, Juarez situou-nos com precisão e autoridade:
_ Estamos passando sobre a “Cachoeira de Olindino”. Esse é o único trecho perigoso do caminho. Daqui p’ra frente agora é tranqüilo.

Gelei, amarelei e experimentei vertigem e adrenalina únicos. Horácio tirou de letra. Juarez e os seus amigos nem se fala.
A descida à “Cachoeira de Olindino” pela trilha do "Canal do Ouro" sob a orientação e os cuidados de Juarez de Araponga e seus amigos foi o ápice das férias de verão de 2007; uma experiência necessária de auto-conhecimento e solidariedade. A trilha revelou-nos também admiráveis formações rochosas representativas da história geológica da região.




Simples assim em Valentim

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Verão 2007, em valentim. 5ª viagem

A princípio, a visita à Fazenda São João, realizada na histórica 6ª feira de verão, seria a última das nossas incursões por santuários valentinenses durante as paradisíacas férias de 2007; diga-se de passagem, a materialização de um desejo há verões em gestação. Mas acontece que no exato e mesmo final de semana desembarcaram em Boa Nova Jardênia e Luiz, um jovem casal de namorados natural da cidade de Jequié, sudoeste baiano, amigos e então hóspedes temporários da minha família. Tocado por histórias a respeito das belezas naturais da região, o casal desfez as malas elegendo Valentim como roteiro indispensável ao seu final de semana. Então, mobilizados por nossos hóspedes da "cidade sol" lá estávamos mais uma vez na estrada, agora num ensolarado domingo: mesmo caminho, mesma paisagem, novo grupo, novos olhares. Numa trupe de homens, mulheres e crianças ligados entre si por laços de parentesco e amizade, rumamos direto para a “Cachoeira de Rosendo”, percorrendo parte do caminho de Kombe e parte a pé, respirando ar puro, contemplando e celebrando o cenário a céu aberto. Sensíveis e com olhos "estrangeiros", nossos caros amigos vivenciaram maravilhas simples assim: estradas vicinais, paisagens verdejantes, cachoeiras de prata, massas de água doce, o por-do-sol e o anoitecer no núcleo urbano de Valentim e outras minúcias mais.
Sim! Jardênia e Luiz fizeram história; deixaram e levaram consigo marcas indeléveis do verão de 2007.